Presidência da República. Ao final, tivemos 13 discursos e 4 notícias da Sala de
Imprensa (item 3).
Juntos, esses textos constituíram o
corpus
a ser analisado. Eles configuram o que
Bajtin (2012:245) chama de gênero discursivo, isso é, “enunciados que refletem as
condições específicas e o objeto de cada uma das diversas esferas da atividade
humana não só por seu conteúdo (temático) e por seu estilo verbal, ou seja, pela
seleção dos recursos léxicos, fraseológicos e gramaticais da língua”, mas,
sublinha o autor, “por sua composição ou estruturação”. Ele explica que os
gêneros discursivos estruturam a realidade, em que “a intenção discursiva do
falante, com sua individualidade e subjetividade, se aplica e se adapta ao gênero
escolhido, se forma e se desenvolve dentro de uma forma genérica determinada”
(Bajtin, 2012:264). O gênero discursivo confere expressividade ao falante, por
isso, tomamos os discursos oficiais como aquele gênero discursivo de onde são
retirados os enunciados analisados. Destes, selecionamos os trechos mais
ilustrativos, em função da limitação de tamanho do trabalho (item 3),
especialmente aqueles que possuíam interdiscursividade, isto é, que constituiam
no seu
interplay
um discurso coeso (Bakhtin, 1984).
No próximo item (1) apresentamos o referencial teórico liberal que orienta a
formulação do Pronatec e que se coloca em evidência nos discursos
presidenciais. No item seguinte (2), partindo da limitação desses referentes para
explicar como os programas repercutem para os seus beneficiários, apresentamos
o marco que orientou a análise dos discursos, fundado na pedagogia do oprimido
(Freire, 1980) e na educação para além do capital (Mészáros, 2005). Esse marco