ações em que se associam ao governo, a empresas, ONGs e organismos
internacionais (PNUD, 1990; Sen, 2000; World Bank, 2001; Rawls, 2008). Subjaz
às formulações desses autores e instituições a ideia do desenvolvimento
entendido como crescimento econômico em um contexto de maximização das
oportunidades individuais nos mecanismos de mercado.
O conceito de oportunidade é central nas formulações de autores e instituições
vinculados a
uma matriz de pensamento liberal, com destaque especial para a
teoria da justiça como equidade, de John Rawls; o tema do desenvolvimento
mundial, como tratado pelo Banco Mundial; a Abordagem das Capacidades, de
Amartya Sen; e o desenvolvimento humano, do Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento (PNUD). Nesse contexto epistêmico, as oportunidades
possibilitam realizar a justiça social em uma situação de desigualdades
econômicas e sociais, pois mesmo os menos favorecidos “usufruem em comum
com os outros cidadãos das liberdades básicas iguais e oportunidades equitativas,
mas têm a pior renda e riqueza” (Rawls, 2003:92).
É importante destacar que para os autores ligados à matriz de pensamento liberal,
o lócus de realização das oportunidades é o mercado, o qual Rawls (2008) aponta
como uma das instituições primárias para a distribuição de bens e oportunidades.
O Banco Mundial (2001:61) também situa no mercado a realização das
oportunidades ao afirmar que “mercados em bom funcionamento são importantes
para gerar crescimento e expandir oportunidades para os pobres. É por isto que
doadores internacionais e governos de países em desenvolvimento, em especial
os democraticamente eleitos, têm promovido reformas que favorecem o mercado”.