Por isso, esses autores e instituições defendem que os mercados devem ser mais
facilitados para os pobres, pois é na ampliação dos mecanismos de mercado que
eles “ têm a oportunidade de oferecerem o seu trabalho e os seus produtos”
(World Bank, 2001:61) através de alianças com empresas, Estados, ONGs. A
ampliação dos mercados como estratégia para a oferta de oportunidades faz
parte, também, da agenda programática do desenvolvimento humano, como
proposta pelo PNUD: “Para a maioria dos países em desenvolvimento, o
desenvolvimento humano coloca um desafio triplo. Eles têm que
expandir as
oportunidades de desenvolvimento para um número crescente de pessoas
. Eles
têm que melhorar os padrões de vida. E eles têm que conseguir
fazer mais com
menos
” (PNUD, 1990:25, grifos meus).
Os desafios propostos pelo PNUD parecem ter sido assumidos também pelo
governo brasileiro em seus discursos e documentos sobre o Pronatec, de modo
que o crescimento do número de matriculados no Programa, em tese, ampliaria o
número de pessoas com capacidades de encontrarem oportunidades nos
mecanismos de mercado. As propostas governistas denotam, ainda, que há uma
ideia de aumento da equidade na competitividade dos trabalhadores. É importante
lembrar que a ideia da equidade como igualdade equitativa de oportunidades é
base das propostas de John Rawls para sua teoria da justiça. Rawls (2008:65)
defende que “apesar de a distribuição de riqueza e renda não precisar ser igual,
ela deve ser vantajosa para todos e, ao mesmo tempo, as posições de autoridade
e responsabilidade devem ser acessíveis a todos”. Com isso, o autor acredita que