Nas reproduções dos trechos de discursos oficiais do governo, expostos acima,
são colocados em evidência conceitos e formulações que permitem reconhecer
que, ao contrário do que o próprio nome diz, o Pronatec não foi criado exatamente
para oportunizar que trabalhadores desempregados ou subempregados tenham
amplo acesso a postos melhores no mercado de trabalho, ou ainda, ser a porta de
saída do Programa Bolsa Família. A dinâmica parece ser oposta: o Pronatec
coloca em relação os trabalhadores e o empresariado, baseando-se na
competição nos mercados como meio de obter sucesso. Assim, apoiando-se na
crença corrente de que um maior tempo de estudo garante uma renda melhor,
essa que é uma das principais frentes da política socioeconômica do governo
federal, parece operar uma lógica que baseia-se na competitividade e na
qualificação profissional para acesso aos postos de trabalho.
O que está em jogo, segundo a Presidente, é a produtividade possibilitada com o
Programa. Essa produtividade se realiza na matriz produtiva agroexportadora e
extrativista brasileira. Não significa, logo, uma espécie de abundância ou
superação das desigualdades. Ele se instaura a partir da estrutura de classes e,
como reforça a Presidente, das faixas de renda. A inclusão, então, é a inclusão
nos mecanismos de mercado, ou seja, na ampliação do mercado consumidor.
Nesse sentido, o Pronatec não oferece a universalização da educação, como
pensada por Mészáros (2005), mas a ampliação de um nicho de mercado que
estava latente.