Além desses apontamentos que fizemos, existem inúmeras críticas e questões
sobre os benefícios que o Pronatec oferece para os trabalhadores inscritos. A
maioria deles se relaciona com as diferenças entre a qualidade e a duração dos
cursos oferecidos por instituições públicas e privadas e à sua eficiência para
prover empregabilidade para os estudantes (Ribeiro, 2014).
Fica
em
evidência nos enunciados selecionados que o Programa oferece uma forma, ou
um aparelho, onde se assentam elementos ideológicos que reforçam as
determinações estruturais do capital e impedem a conscientização e mesmo a
passagem para o estado que Freire (1980) chama de ingênuo-transitivo, apesar do
aumento do tempo da educação formal. O apelo à empregabilidade, ao consumo e
à proatividade brasileira podem, ainda, ser indícios de que o trabalho é
compreendido e divulgado de modo fetichizado, como algo que se encontra na
prateleira do supermercado: basta fazer os cursos para conseguir trabalho. No
entanto, a estrutura, formalização e condições destes postos de trabalho com os
quais o Pronatec não são apresentadas.
4 Considerações Finais
Com o exposto, é possível afirmar que o Pronatec vem sendo implementado em
um contexto de disputa pela sua concepção em que, de um lado, o Governo
Federal situa-o como uma medida para o desenvolvimento baseada na ampliação
de oportunidades e aumento da competitividade no comércio exterior e, de outro,
pesquisadores e coletivos comprometidos com projetos de educação
progressistas denunciam que o Programa reforça a precarização do trabalho e o
compromisso do governo com os interesses do empresariado, em detrimento da