qualidade dos serviços prestados e de sua efetividade para a inclusão dos
trabalhadores no mercado de trabalho.
Os enunciados selecionados permitem afirmar que o Pronatec não deve ser
entendido como uma simples política de educação, mas um poderoso suporte de
ideologia que aprofunda o mercado como um espaço fetichizado das relações e os
trabalhadores livres como indivíduos de negociação de tal espaço. Reforça-se que
não há qualquer pesquisa governamental e ou acadêmica registrada nos sítios
oficiais e bases de dados sobre a relação entre a empregabilidade dos cursistas
Pronatec ou a efetiva melhoria das condições de vida dos trabalhadores.
Nesse espaço, a noção de responsabilidade social do governo, remetendo ao
postupok
, bakhtiniano, perde-se.
Então, é possível concluir que o gênero
discursivo formado pelos enunciados oficiais acerca do Pronatec reforçam o seu
caráter de funcionalidade à reprodução das determinações estruturais capitalistas.
Apesar de aumentar o tempo de educação dos trabalhadores, o Programa tem
seu caráter ideológico reforçado, impedindo a formação de uma consciência crítica
coletiva por meio da práxis como condição essencial para a libertação. A educação
aqui, circunscrita aos apelos do mercado, mantém os trabalhadores como 'não-
ser': não chega a realizar a base para a existência de uma nova organização
social em que não é negada a razão de existir dos trabalhadores: a busca
constante do que Freire (1980) chama de ser-mais.