Essa função de dominação e subordinação que Mészáros atribui à educação
institucionalizada pode ser reconhecida em alguns elementos do Pronatec. Nesse
sentido, claro, a formação técnica oferecida pelos cursos do Pronatec não
oferecem uma ampliação do acesso ao mercado de trabalho, que aconteceria,
supostamente, de modo mais qualificado. No entanto, a qualificação oferecida
apenas reproduz as regras de competição entre a mão-de-obra disponível, pois,
“podem-se ajustar as formas pelas quais uma multiplicidade de interesses
particulares conflitantes se deve conformar com a regra geral preestabelecida da
reprodução da sociedade, mas de forma nenhuma pode-se alterar a própria regra
geral (Mészáros, 2005:26).
Com isso, o autor deixa evidente que a educação institucionalizada no sistema do
capital, na qual o Pronatec se insere, tem o compromisso funcional de qualificar a
mão-de-obra para trabalho e, ao mesmo tempo, de ajustá-la às regras de
competitividade que vigoram no mercado. Para ele, a educação pautada pelo
imperativo das trocas, inclusive da venda da força-de-trabalho, limita os homens e
mulheres: “
[...] essas são as desvantagens de um espírito comercial. As mentes
dos homens ficam limitadas, tornam-se incapazes de se elevar. A educação é
desprezada, ou no mínimo negligenciada, e o espírito heroico é quase totalmente
extinto”.
A educação institucionalizada, segundo Mészáros (2005) pauta-se pela
racionalização dos educandos. Nesse processo, acostumam-se à lógica da divisão
racional do trabalho e da especialização da tarefa, mas aprendem que a ordem
social estabelecida é não apenas racional, mas uma ordem social supostamente