A esse respeito, dois conceitos principais devem ser postos
em primeiro plano: a
universalização da educação
e a
universalização do trabalho como atividade humana auto-
realizadora
. De fato, nenhuma das duas é viável sem a outra.
Tampouco é possível pensar na sua estreita inter-relação
como um problema para um futuro muito distante. Ele surge
‘aqui e agora’, e é relevante para todos os níveis e graus de
desenvolvimento socioeconômico.
A educação para além do capital só pode existir com a conscientização, não
apenas do processo de educação, mas do trabalho como atividade vital humana
em que o homem se realiza. Não se trata, aí, da apropriação capitalista do
trabalho, mas do trabalho do homem genérico, do que Freire (1980) chama de ser-
mais.
A realização do ser-mais se dá a partir do momento em que os pobres
reconhecem que o seu 'não ser' é fruto da exploração que permite a 'realização do
ser' capitalista. Por isso, a conscientização “implica que ultrapassemos a esfera
espontânea de apreensão da realidade para chegarmos a uma esfera crítica na
qual a realidade se dá como objeto cognoscível e na qual o homem assume uma
posição epistemológica” (Freire, 1980:15). A consciência crítica exige a admiração
da realidade para além da aproximação espontânea que os homens têm dela. A
admiração, na concepção freireana, começa com um distanciamento da realidade
para objetivá-la, pois a conscientização é um teste da realidade que tanto mais a
desvela quanto mais penetra na sua essência fenomênica enquanto objeto.
Com a conscientização, o povo começa a assumir sua tarefa de sujeito histórico
epistêmico: histórico, pois se insere criticamente na história como “fazedor e
refazedor do mundo” (Freire, 1980:15); e epistêmico porque sabe que conhece