Página 89 - SUSTENTABILIDAD Y RESPONSABILIDAD SOCIAL

Versión de HTML Básico

criticamente o mundo que constrói e reconstrói. São os seres humanos, enquanto
sujeitos históricos epistêmicos, os agentes da práxis libertadora na unidade
indissolúvel entre ação e reflexão.
A conscientização não é, portanto, um saber escolar, não é um 'colocar-se frente à
realidade', mas um reconhecer-se como 'ser-no-mundo', como historicamente
constituído e capaz de transformar o mundo em que vive, transformando-se com
ele.
Após uma atenta leitura da obra de Paulo Freire percebe-se que sua
argumentação central gira em torno da ideia de ação-reflexão. Assim, nota-se que
a linha de pensamento de Freire confronta-se, de forma não proposital, com os
objetivos e métodos do programa:
A conscientização não consiste em “estar frente à realidade”
assumindo uma posição falsamente intelectual. A
conscientização não pode existir fora da “práxis”, ou melhor,
sem o ato ação-reflexão. Esta unidade dialética constitui, de
maneira permanente, o modo de ser ou de transformar o
mundo que caracteriza os homens (Freire, 1980:26).
Segundo Freire (1980:27), “a utopia não idealismo, é a dialetização dos atos de
denunciar e anunciar, o ato de denunciar a estrutura desumanizante e de anunciar
a estrutura humanizante. Por essa razão a utopia é também um compromisso
histórico.”. Logo conscientização implica em uma posição utópica frente ao
mundo, pois utopia é denunciar e anunciar. Dessa forma, a utopia requer
conhecimento crítico, porque este é necessário para denunciar ou anunciar o
conhecimento sobre a estrutura. Para Freire é necessário uma consciência
historicamente condicionada pelas estruturas.