Página 90 - SUSTENTABILIDAD Y RESPONSABILIDAD SOCIAL

Versión de HTML Básico

“A principal característica desta consciência – tão
dependente como é a sociedade da estrutura a que se
conforma – é sua “quase-aderência” à realidade objetiva ou
sua “quase-imersão” na realidade. A consciência dominada
não se distancia suficientemente da realidade para objetiva-
la, a fim de conhecê-la de maneira crítica. A este tipo de
consciência chamamos “semi-intransitiva. “A consciência
semi-intransitiva é característica das estruturas fechadas”
(Freire, 1980:67).
Para Freire, a passagem de um estado de consciência semi-transitivo a um estado
ingênuo-transitivo é também um momento de surgir da consciência das elites, a
consciência crítica. “Não há outro caminho para a humanização – a sua própria e
a dos outros -, a não ser uma autêntica transformação da estrutura
desumanizante”. (1980:75).
A conscientização, portanto, não se refere a uma transformação puramente
cognitiva do trabalhador, mas envolve, obrigatoriamente, a ação, que o autor
chama de ação cultural:
Enquanto a ação cultural para a liberdade se caracteriza pelo
dialogo e seu fim principal é conscientizar as massas, a ação
cultural para a dominação se opõe ao diálogo e serve para
domesticá-las.”. Assim, estabeleceu-se uma relação explícita
entre a ação cultural pela liberdade, na qual a
conscientização é o objetivo principal, e a superação dos
estados de consciência semi-transitivos e transitivos-
ingênuos pela consciência crítica. Não se pode chegar à
conscientização crítica apenas pelo esforço intelectual, mas
também pela práxis: pela autêntica união de ação e da
reflexão.
Os estados de consciência apresentados por Freire constituem verdadeiras
categorias a partir das quais é possível analisar o Pronatec, tarefa a que nos
dedicamos na próxima seção.
3 Enunciados sobre o Pronatec em discursos presidenciais